Por que sofrer (III – final) – o sofrimento dos inocentes

imgFinalmente, chegamos à razão do sofrimento dos inocentes, ou seja, a explicação do porquê que mesmo aqueles que não cometem os pecados graves que assolam um País devem se unir às outras pessoas na reparação dos pecados públicos.

Muitos apostatam da fé católica e deixam de acreditar em Deus porque não acham justo o sofrimento do inocente. Mas quem é totalmente inocente? As pessoas têm uma noção errada de inocência porque não têm noção do pecado.

E, na verdade, aquele que é inocente mesmo quer sofrer pelos outros.

“Por que o inocente deve sofrer?

Uma questão que termina sendo uma amarga tentação para muitas pessoas cuja fé é fraca e pouco iluminada surge em conexão com o que dissemos: por que os bons e virtuosos não são poupados nesses tempos [de castigos e calamidades], mas são compelidos a sofrer como os outros? Se Deus é justo, como Ele pode permitir que o inocente seja afligido com o culpado?

Há várias razões pelas quais Deus permite que o bom sofra em tempos de castigo público:

1. É certamente justo e correto que os bons auxiliem a Deus oferecendo a reparação necessária pelos pecados públicos, porque no tempo normal eles gozam juntamente com os seus concidadãos as bênçãos da paz, tranqüilidade e prosperidade nacional. Os seus interesses temporais são comuns, tanto no tempo de prosperidade quanto no de aflição.

2. Aqueles que são inocentes por não terem de fato tomado parte em pecados públicos não são, só por essa razão, completamente livres de culpa diante dos olhos de Deus. Muito frequentemente eles são culpados desses pecados de uma maneira indireta – de maneira acessória a eles, como se diz. Assim, eles podem ter cooperado com alguma forma de imoralidade, podem não ter protestado contra ela, podem ter negligenciado o uso de sua autoridade, ou influência, ou direito de votar, ou no impedimento de sua introdução, ou no conseguir sua remoção quando ela já estivesse introduzida, e isso tudo por meio de indiferença, respeito humano, medo de perseguição, perda de negócios ou razões semelhantes e sem valor.

3. Os sofrimentos dos bons têm um valor expiatório muito maior do que aqueles dos maus. Portanto, quanto mais pessoas boas puderem se juntar para fazer a expiação necessária, mais rapidamente ela será feita. Ademais, Deus é facilmente movido, em consideração pelo sofrimento dos bons, a mitigar bastante suas punições, e às vezes cessá-las completamente.

4. A visão do sofrimento dos bons por pecados que eles não cometeram é apta a promover a conversão e salvação dos maus, fazendo-os lembrar vivamente dos castigos mais rigorosos que a eles serão infligidos na vida futura. Se o pecado é punido de forma tão severa sobre os bons na terra, quanto mais o será sobre o pecador não arrependido na eternidade.

5. Esses sofrimentos dão aos bons oportunidade de fazer expiação completa de seus pecados pessoais. Pois não há alguém tão santo e tão confirmado em graça que não tenha cometido alguns pecados, ao menos veniais. “Até o justo cai sete vezes”, isto é, freqüentemente. Mas é uma lei imutável que todo pecado, mesmo o menor deles, deve ser expiado ou aqui ou depois, no Purgatório. Mas a expiação aqui feita é muito mais lucrativa do que a feita após a morte.

6. Suportar pacientemente o sofrimento indevido faz com que o bom se assemelhe a Jesus Cristo, que, apesar de perfeitamente inocente, tomou a si a tarefa de fazer reparação pelos nossos pecados e, com isso, abriu o Céu para nós. Se Ele não tivesse feito essa reparação, não poderíamos ser salvos. Ademais, o sofrimento inocente permite que o bom atinja os mais altos graus de graça e virtude, o que acarretará para eles um correspondente alto grau de glória eterna no Reino dos Céus”.

Fonte: Padre Lano/ Textos Católicos

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