Paracatu-MG: terra de herói e de vilão

O jornal Estado de Minas publicou uma matéria muito interessante neste último Domingo (02/12) com o seguinte título “Casa de ferreiro, espeto de pau”. A matéria é praticamente uma comparação entre a boa fama momentânea do ministro do STF, Joaquim Barbosa, e um balanço dos oito anos da gestão do atual prefeito de Paracatu-MG, Vasco Praça Filho (PMDB), que encerra o seu mandato sem conseguir fazer seu sucessor depois de enfrentar três CPIs na Câmara Municipal.

Durante os oito anos da administração municipal do PMDB na cidade, os servidores públicos municipais tentaram mostrar a sociedade paracatuense que existia uma distorção salarial na prefeitura que beneficiava apenas o prefeito e seus companheiros ocupantes de cargos comissionados. O jornal levantou de forma crítica esta questão. O salário do prefeito gira em torno de R$ 18.900,00, enquanto o da presidente Dilma é de aproximadamente R$ 19.800,00.

Algum leitor pode questionar que não há nada de errado no fato do prefeito ganhar quase o salário da presidente, olhando pelo lado da arrecadação milionária do município, eu poderia até concordar, mas olhando pelo lado da justiça social, vejo que alguém paga muito caro para que o prefeito ganhe tão bem.

Dos 2600 funcionários da prefeitura municipal de Paracatu-MG, cerca de 1.100 recebem um salário mínimo. Foram estes os principais protagonistas da maior greve da história de Paracatu-MG neste ano de 2012, aqueles que tiveram os seus salários cortados de forma arbitrária para serem pressionados e assediados a retornarem a seus postos de trabalho. Este é o preço que os servidores pagam para que o prefeito ganhe absurdamente bem. Recebem um salário mínimo; com os descontos do Preserv (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Paracatu-MG), acabam recebendo menos que isso.

Este é um dos motivos que justificam claramente as quatro grandes greves encabeçadas pelos servidores durantes estes oitos anos de Vasquinho frente à prefeitura. Oito anos de greve e de CPIs, na da saúde, a população pode tomar conhecimento de quem era responsável pela parceria público-privada com a Faculdade Atenas, quem tinha autorizado à utilização do hospital municipal e de postos de saúde por alunos do curso de medicina sem contrapartida financeira. Em outras duas CPIs o prefeito terá ainda que responder sobre a aplicação de recursos públicos na área da educação, umas dessas apura o pagamento dobrado da quilometragem realmente percorrida a donos de ônibus que transportam estudantes em meios de transportes precários.

Enquanto o ministro Joaquim Barbosa é ovacionado nacionalmente como o herói da capa preta, o prefeito de Paracatu-MG encerra o seu mandato manchado por escândalos de corrupção e politicamente enfraquecido, pois, não conseguiu fazer o seu sucessor, ficou com a medalha de bronze na corrida dos quatro atletas prefeitáveis.

Vítor Soares

Vítor Soares. Professor de Geografia da rede pública de ensino, graduando em Pedagogia, pós-graduando em Gestão Ambiental, Biodiversidade e Geografia.

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