“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.”

Derek Bok, ex-reitor e ex-diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, foi extremamente sábio quando afirmou o seguinte: “Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.” Como educador defendo esta ideia, acredito que a educação é a única forma de combater a ignorância que impede os cidadãos de contribuírem para a democracia e ajudarem a melhorá-la.

Um dos grandes problemas da democracia é o avanço crescente da ignorância frente ao enfraquecimento de uma educação de qualidade, que hoje se encontra condenada à falência. Esta ignorância que tem se destacado no nosso país é sustentada por demagogos que prometem aos falsos cidadãos aliados, pacotes de benefícios diretos para todos aqueles que são complacentes e partidários de suas ações, já aos seus opositores e não simpatizantes, eles oferecem o “porrete”, a perseguição e a crucificação.

A ignorância, a pobreza e a dependência da população são cúmplices da corrupção e, certamente, ajudam a alavancar as negociatas que enriquecem inúmeros políticos brasileiros. Não interessa a esses “senhores” melhorar, efetivamente a qualidade da educação brasileira. Isso significaria, no final das contas, uma população mais esclarecida, atuante, crítica e exigente. Quando a qualidade da educação brasileira melhorar, os ignorantes acomodados com a situação precária do nosso país; exigirão serviços públicos melhores e se tornarão aqueles que vão as ruas protestarem, assim, como os jovens fizeram em Paracatu-MG na marcha contra a corrupção e foram criticados pelos ignorantes.

Os ignorantes não entendem que a luta contra a corrupção começa nos pequenos atos cotidianos de cada um. Não dar propina, respeitar as leis, ter paciência nas filas, votar com consciência, participar da educação dos filhos, cobrar serviços públicos de qualidade são formas de combater a corrupção, mas os ignorantes veem isso com outros olhos.

Para a educação de qualidade ocupar o lugar da ignorância que impera, o Brasil precisa investir mais em educação, na verdade, deveria dobrar os seus investimentos em Educação Básica, atingindo o equivalente a 10% do PIB. O Brasil investe hoje na Educação Básica metade do que investem os países vizinhos – Chile, México e Argentina e seis vezes menos que a média dos países da OCDE.

Sem professores valorizados será difícil vencer este desafio. Os países que estão no topo da educação mundial, como Finlândia e Coréia do Sul, só conseguiram fazer com que a educação de qualidade superasse a ignorância dominante porque passaram a oferecer salários iniciais expressivos e uma carreira atraente para os seus educadores, atraindo, dessa forma, os alunos mais bem preparados do ensino médio.

A educação se destaca como o grande tema com capacidade de articular e integrar as várias dimensões do desenvolvimento humano. Uma educação de qualidade acessível a todas as crianças e adolescentes do país – considerando todas as etapas, do infantil ao ensino superior – é fundamental para vencermos a ignorância e para que a distribuição da riqueza seja mais justa. Se não cumprirmos esse desafio, o Brasil pode não dar o salto que a gente quer que dê e ficar aquém das expectativas no bicentenário de nossa Independência, em 2022.

Mas temos também de ter a consciência de que esse desafio é o de promover a educação para além da escola. O que queremos é uma sociedade pensante, na qual todos têm seu papel a cumprir, inclusive os meios de comunicação, na formação de valores comuns que orientem a perspectiva de um país mais justo e solidário, com condições e oportunidades iguais para todos.

Vítor Soares. Professor de Geografia da rede pública de ensino, graduando em Pedagogia, pós-graduando em Gestão Ambiental, Biodiversidade e Geografia.

Vítor Soares

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