Paracatu e todo Noroeste são destaques na produção da cana-de-açúcar

 

Famosa por ser a maior produtora de grãos do estado, a região Noroeste de Minas se prepara para mudanças em sua paisagem agrícola. Usinas de álcool e açúcar, que puseram investimentos em banho-maria após a crise financeira global em 2008, se preparam para tirá-los do papel e ocupar o cerrado mineiro com plantações cana. De dez protocolos de investimentos em usinas sucroalcooleiras registrados pelo governo de Minas, seis ficam no Noroeste, totalizando R$ 3 bilhões. “Até 2020, a produção de cana no estado tem de dobrar. O Noroeste é a nova fronteira da cana no estado”, assegura Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato do Açúcar e do Álcool em Minas Gerais.

 

Produção da Cana-de-açucar em Paracatu

 

À espera do sinal do mercado e de mudanças na legislação para instalar seus empreendimentos, produtores reservam áreas e arrendam terras. “A terra no Triângulo está muito cara, por isso o Noroeste vai absorver boa parte dos investimentos no setor”, explica Pierre Vilela, coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg). Já são cinco as usinas instaladas nos municípios de João Pinheiro e Paracatu, mais próximos à região Central, mas há projetos que alcançam até Unaí. “A indústria da cana vai mudar o mapa da agricultura no Noroeste. Parte da produção de grãos vai ser deslocada ”, diz Vilela.

Quando deslanchar, porém, a producão canavieira no Noroeste de Minas vai intensificar problemas relativos ao desenvolvimento sustentável. O primeiro deles diz respeito à necessidade de irrigação das plantações – maior no caso da cana -, o que deverá acirrar conflitos pelo uso da água. A região é o berço de dois dos principais afluentes do Rio São Francisco – o Urucuia e o Paracatu. Por isso mesmo, o impacto da expansão agrícola sobre eles é motivo de preocupação. O segundo dilema é relacionado à ocupação e ao uso da terra. “A cana pode deslocar pequenos produtores e aumentar a concentração das propriedades e da renda, além de aumentar a pressão sobre as áreas de preservação do cerrado”, diz Álvaro de Moura Goulart, coordenador técnico da regional da Emater em Unaí.

Agricultura de precisão

Agricultura e pecuária respondem, juntas, por 38% das riquezas da região Noroeste. Dali sai mais de um quarto de toda a produção de grãos do estado. Graças à safra 2010/2011, que cresceu 14% em relação à anterior, Minas teve uma colheita recorde, de 10,6 milhões de toneladas.

Unaí brilha como maior produtor de feijão do Brasil, com uma produção anual de 120 mil toneladas. Além do feijão, saem de lá todos os anos mais de 2 milhões de toneladas de alimentos em forma de milho, soja, melancia, pimentão, salsa, abacaxi, tomate, cebola, alho, beterraba, cenoura, café, algodão e laranja. Irmo Casavechia é presidente da Cooperativa Agropecuária do Noroeste Mineiro (Coanor), em Unaí. Os 180 sócios entregam, ao ano, 110 mil toneladas de milho, soja, feijão e café, plantados em 35 mil hectares. Outra cooperativa local, a Cooperativa Agropecuária de Unaí, reúne o leite que sai das propriedades de 3.300 produtores. “São 290 mil litros de leite ao dia”, aponta o diretor-administrativo Tarciso Braz da Silva.

Em Paracatu, Olavo Remigio Conde é produtor de feijão, milho e soja. Sua plantação ocupa 6 mil hectares, dos quais 980 são irrigados. A propriedade ocupa parte dos 400 mil hectares irrigados no Noroeste mineiro. “Essa é a maior irrigada da América Latina”, pontua o presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Noroeste de Minas (Adesnor), Afonso Aroeira.

Para facilitar o escoamento da produção agrícola regional, foi decisiva a criação do Terminal Intermodal de Pirapora, no Norte do Estado. Inaugurado em 2009 pela Vale/Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), o terminal recebeu R$ 300 milhões em investimentos e integra o programa Pró-Noroeste, desenvolvido em parceria com o Governo de Minas, Faemg e Banco do Brasil. Por esse corredor logístico, Minas embarcou 521 mil toneladas de soja e 122 mil toneladas de milho para o mercado externo em 2010. A estimativa para 2011 é de 1 milhão de toneladas, sendo 80% de soja e o restante de milho. A agricultura de precisão é a base da produtividade na lavoura. “O computador e o GPS trabalham junto com o produtor”, diz Vilela.

Ouro exportação

A região Noroeste se beneficia não só de seu potencial agrícola, mas também de suas riquezas minerais. Os velhos e bons metais preciosos são alvo da exploração de grandes companhias nacionais,como a Votorantim Metais Zinco, que extrai prata de suas plantas em Paracatu e Vazante, e multinacionais, como a canadense Kinross Gold Corporation, que minera ouro em Paracatu.

Maior mineradora de ouro no Brasil, a Kinross produziu 557 mil onças (17,9 toneladas) de ouro em 2010. Da mina Morro do Ouro em Paracatu saíram em torno de 482 mil onças (15,5 toneladas) desse total. O faturamento da empresas alcançou R$ 1 bilhão em 2010. Desde 2008, a Kinross investe na expansão da capacidade da mina Morro do Ouro, com a meta de triplicar a produção. A ampliação, que já demandou US$ 570 milhões, continua em curso e se estenderá até 2012. Para 2011-2012 são previstos investimentos da R$ 1,2 bilhão. O ouro produzido ali vai todo para a exportação: Inglaterra, Suíça e Estados Unidos.

Fonte: Estado de Minas

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